Vacina Aumenta Esperança de Cura da Doença de Alzheimer
28 de March de 2007
Imagem do Cérebro Um estudo publicado pela revista científica "PNAS" (www.pnas.org) mostra que pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida (Estados Unidos) obtiveram resultados significativos com uma espécie de vacina aplicada à pele por meio de um adesivo, como nos medicamentos para parar de fumar.
"As vacinas convencionais que estão sendo testadas não são
idênticas às usadas para infecções. Em vez de uma ou duas doses, será
preciso tomar várias aplicações para o resto da vida para que algum
grau de proteção ocorra", explica Jun Tan, um dos autores do trabalho
norte-americano. Nesse caso, o medicamento é injetado diretamente na
veia, sem ser absorvido pela pele.
Segundo o pesquisador, por ser muito simples e pouco invasiva é que
a técnica do adesivo cutâneo foi pensada por ele e seus colaboradores
como uma opção viável. "Já vimos que existe um potencial promissor para
essa técnica, que poderá transformar-se em uma terapia eficiente contra
o Alzheimer", explica.
O caminho convencional, também em estudo, sofreu um duro golpe
recentemente. Depois de passar com sucesso pela fase de testes no
laboratório, o medicamento chegou a ser aplicado em humanos.
Estudos publicados em 2003 e 2005 mostraram que, em 6% dos pacientes
testados, a vacina causou inflamação cerebrais sérias. Alguns pacientes
morreram por causa disso. "Esse foi um efeito secundário da reação
auto-imune. As células do próprio corpo atacaram de forma agressiva as
proteínas produzidas pelo organismo", explica Tan.
Apesar dos efeitos indesejados, os estudos continuaram. No mesmo
grupo que recebeu as doses, alguns pacientes não sofreram com os
efeitos adversos e ainda tiveram melhora em seus níveis de inflamação.
Um grupo de pesquisa europeu, por exemplo, que usa um mecanismo
convencional um pouco diferente do utilizado no passado (para tentar
fugir das respostas auto-imunes), anunciou no início do mês que vai
iniciar em três anos os testes em humanos de uma vacina contra o
Alzheimer.
No caso da pele, explica Tan, as células presentes nesse órgão - o
maior do corpo humano - não geram os mesmos efeitos colaterais já
observados.
"Muito pelo contrário. Ela até ajuda o processo a surtir efeito", afirma.
Proteína destruidora
Os pesquisadores já sabem que o Alzheimer é provocado pelo acúmulo
excessivo da proteína beta-amilóide. Essa molécula forma placas no
cérebro, ocasionando inflamações que acabam por destruir os neurônios
que estavam sadios.
É exatamente contra ela que a vacina deverá atuar. Os cientistas,
por enquanto, preferem a cautela quando o assunto é passar para a
próxima fase da pesquisa. "Nós esperamos que os próximos experimentos,
que serão feitos em camundongos, consigam reduzir a perda de memória
induzida pelo Alzheimer, como também que as placas senis sejam
reduzidas."
Segundo Tan, se tudo ocorrer bem e a próxima fase também for um
sucesso, é que os próximos passos [os testes em humanos] serão pensados.
Como mirar o futuro também é uma mania dos cientistas, o pesquisador
radicado na Flórida deixou escapar um pequeno otimismo. "Além do
adesivo, talvez seja possível até pensar em alguma substância tópica
[uma pomada ou gel, por exemplo] para ser aplicada sobre a pele."
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