Em termos gerais um enfarte
consiste no bloqueio da circulação sanguínea numa determinada zona ou órgão
do corpo, levando à morte e destruição dos tecidos previamente irrigados
pelos vasos lesados.
A situação de emergência
conhecida por enfarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, é geralmente
resultado de uma obstrução do aporte de sangue ao músculo cardíaco
(miocárdio). Esse aporte de sangue é feito por artérias chamadas coronárias.
O enfarte é normalmente provocado por um coágulo que vai obstruir uma zona das
coronárias geralmente já diminuída no seu diâmetro interno por fenómenos de
arteriosclerose.
Outras causas, mais raras, podem ser um espasmo dos vasos ou infecção
cardíaca.
Tal como nos países
desenvolvidos, o enfarte do miocárdio é uma das principais causas de morte em nosso país.
Os fatores de risco para se poder vir a sofrer um enfarto do miocárdio
são sobretudo a hipertensão, o tabagismo, o excesso de colesterol no sangue, a obesidade, o sedentarismo e o excesso
de stress.
Os homens estão mais sujeitos de
que as mulheres, e a idade é também
um fator determinante, verificando-se que apenas 6,7% se deram em indivíduos com menos 55 anos e
que acima dos 75 anos houve a incidência foi de 57,6%.
Os sintomas mais típicos são uma dor de surgimento súbito,
geralmente muito intensa, a nível da zona central do tórax, com irradiação
para um dos braços (geralmente o esquerdo), para o maxilar ou para o pescoço.
Muitas vezes acompanha-se de mal estar geral e suores frios. Mas também podem
haver situações de enfarte sem que estes sintomas apareçam , ou em que
apareçam em menor grau.
A gravidade do enfarte depende da
extensão e da zona afetada, sendo mais grave se atingir os centros de comando
do ritmo cardíaco. Nesse caso podem haver arritmias
(alterações do
ritmo) que levem inclusivamente à fibrilhação ventricular, situação em que
os ventrículos - que são as cavidades mais importantes no bombear de sangue
pelo coração - deixam virtualmente de ter força para impulsionar o sangue,
levando à morte do doente se não houver intervenção imediata.
A confirmação do diagnóstico
é feita através do electrocardiograma, e da dosagem de certos enzimas
resultantes da necrose (destruição de tecido) que entram em circulação ao
fim de algum tempo.
O tratamento é feito mediante medidas de suporte imediato, podendo ser
necessário começar por se fazer a ressuscitação cardio-respiratória no
caso de haver paragem dos batimentos cardíacos e/ou paragem respiratória.
Infelizmente, esta técnica (respiração boca a boca e massagem cardíaca) não
é ainda ensinada à população em geral, nem sequer nas escolas, o que poderia
salvar muitas vidas, como acontece frequentemente nas situações de enfarto do
miocárdio.
Na fase de tratamento imediato
atua-se também de forma a diminuir a dor, melhorar a oxigenação do doente,
controlar as arritmias que possam surgir, e administrar o mais cedo possível
medicamentos que dissolvam o coágulo causador do enfarte. Numa fase inicial
dá-se muitas vezes aspirina.
É importante que o doente seja
assistido o mais cedo possível, não só porque assim é possível evitar a
evolução fatal, com também porque se devem iniciar desde logo tratamentos que
não só impeçam a progressão da lesão como também permitam dentro do
possível restabelecer a circulação. Hoje em dia existem drogas muito potentes
para esse efeito, caso dos medicamentos trombolíticos, como os ativadores do
plasminogénio que, se utilizados nas primeiras 3 horas, conseguem
"dissolver" as substâncias que obstruem os vasos.
A prevenção do enfarte passa pela adoção de modos de vida saudáveis
e pelo controle regular da tensão arterial, dos índices de gorduras no sangue,
e medicação adequada.
É muito importante que tanto o
doente que teve um enfarte como um potencial "candidato" com fatores
de risco deixem de fumar, evitem um estilo de vida agitado, e pratiquem
exercício físico adequado conjugado com uma alimentação correta. O excesso
de peso deve ser controlado. A atividade sexual do doente cardíaco pode e deve
ser mantida, mas dentro de determinados parâmetros.
Quanto à medicação,
normalmente utilizam-se os beta-bloqueantes ou os bloqueadores dos canais de
cálcio como medicamentos de controle da hipertensão e de protecção
cardíaca.
A prevenção do aparecimento de
futuros coágulos na corrente sanguínea também deve ser prevenida,
utilizando-se para tal medicamentos como a aspirina, ou outros anti-agregantes
mais recentes.
ATENÇÃO: Estas são informações gerais sobre o assunto, descritas
em literatura médica ou por médicos especializados. Este texto não deve
ser usado para qualquer tipo de diagnóstico ou automedicação. Em caso
de qualquer suspeita, procure imediatamente seu médico. Se tiver
dúvidas ou comentários sobre o texto, fale conosco.
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